Pai, quando partiste eras tão jovem, tinhas tanto ainda para viver, mas a vida ou o destino, assim o quis... levar-te para sempre, sem que eu pudesse impedir, ou dizer-te apenas o quanto eu queria que ficasses comigo.
Eras um homem muito triste e um tanto rude, a própria vida assim te tornou após te veres comigo e com o meu irmão Lele tão pequenos e indefesos ao sermos abandonados pela nossa mãe. Recordo de te ver tanta, mas tanta vez a chorar pelos cantos da casa e no quintal, tinhas por hábito de te esconderes para que eu e o Lele não te visemos chorar.
Não permitias que falássemos sobre a nossa mãe, que era a razão da nossa e da tua grande revolta e tristeza, por isso eu e o meu irmão criamos o nosso próprio mundo onde se refugiávamos quando estávamos tristes, também chorávamos sem que tu visses.
Pai, à tua maneira, mas deste-nos tanto carinho e amor.
Sabes recordo daqueles dias de calor em que os três se deitávamos no junco do nosso pátio à sombra daquela grande parreira (que servia de varanda que não existia) ouvíamos as tuas histórias e o rádio a pilhas, porque não tínhamos electricidade.
Tu foste um bom pai, um bom conselheiro, sempre fizeste o que achavas melhor para nós, até fizeste de mãe, como sabes também sou mãe e sei que é uma tarefa muito difícil, mas que tu tão bem soubeste desempenhar. Preocupavas-te connosco, principalmente comigo, dizias que o mundo era mau e que eu era muito frágil, ainda hoje o sou, acredita.
Educaste-nos e transmitiste-nos valores que nunca irei esquecer, hoje sou a mulher que sou e muito devo-te a ti, irei honrar o teu nome . Sinto um enorme vazio por não te ter, poder olhar-te e dizer o quanto te amo, sei que estás em paz e, sei que estejas onde estiveres vais olhar sempre pela tua princesa e pelo Lele que tanto amavas. Eu jamais te esquecerei, vou recordar-te sempre com muito amor e saudade.
Amo-te Pai.